Princípios do cooperativismo e a cultura do garimpo: uma análise nas cooperativas minerais de Minas Gerais

Palavras-chave: Garimpo, Cooperativismo, Cooperativas minerais, Princípios

Resumo

O garimpo se configurou como uma realidade social emblemática na história do Brasil e se tornou um problema público latente na agenda governamental, devido à questão ilegal e informal. Como forma de solução, o Estado priorizou o modelo cooperativo na Permissão de Lavra Garimpeira com a Lei n. 11.685 de 2008, o que resultou num aumento expressivo de constituição de cooperativas minerais. As cooperativas são organizações coletivas que priorizam a autogestão, a cooperação e o respeito ao meio ambiente e à comunidade, princípios distintos do individualismo e dos conflitos que parecem inerentes à atividade garimpeira ilegal. No seio dessa suposta incoerência, surge o seguinte problema de pesquisa: os princípios da doutrina cooperativista são praticados pelas cooperativas de garimpeiros? O objetivo do trabalho consiste em verificar se as cooperativas minerais do estado de Minas Gerais aderem aos princípios propostos pela doutrina do cooperativismo. Para responder a tal inquietude, foram estudadas 11 cooperativas minerais localizadas em nove municípios do estado de Minas Gerais. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com representantes das cooperativas e do poder público local. Os principais achados apontam que a indução da atividade garimpeira em organizações cooperativas não significa a promoção da cooperação e nem a aplicação dos princípios do cooperativismo à atividade garimpeira. A principal conclusão é de que cooperativas minerais evidenciam significativas diferenças dos outros ramos do cooperativismo.

Biografia do Autor

Samuel Soares da Silva, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Doutorando e Mestre em Administração pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Pesquisador do Centro de Referência em Empreendedorismo e Cooperativismo da UFV.

Alan Ferreira de Freitas, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Doutor em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor adjunto do Departamento de Administração e Contabilidade na UFV.

Rodrigo Freitas, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Bacharel em Cooperativismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Tamires Ramalho, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Mestranda em Administração e bacharela em Cooperativismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Referências

ALVES, Wellington; FERREIRA, Paula; ARAÚJO, Madalena T. Mining cooperatives in Brazil: an overview. Procedia Manufacturing, Vigo (Pontevedra), Spain, 13, 1026-1033, 2017.

MATHIS, Armin; CHAVES, Arthur Pinto; TOMI, Giorgio; SECCATORE, Jacopo; ROSA, Marcos Reis; THEIJE, Marjo; ELIS; Vagner. Diagnóstico socioeconômico e ambiental da mineração em pequena escala no Brasil (MPE). Relatório 8: Relatório Final. São Paulo, Ministério de Minas e Energia, 2018.

BITENCOURT, Marcelige; PRESNO AMODEO, Nora Beatriz; HORTA VALADARES, José; MUNIZ, José Norberto. Cooperativismo nos garimpos: potencialidades e limitações a partir de um estudo de caso. Organizações Rurais e Agroindustriais, Lavras, v. 12, n. 3, p. 399-410, 2010.

CANÇADO, Airton C.; GONTIJO, Mário C. H. Princípios cooperativistas: origem, evolução e influência na legislação brasileira. In: ENCONTRO DE INVESTIGADORES LATINO-AMERICANO DE COOPERATIVISMO, Brasil, v. 3, 2005.

COELHO, Maria C.; WANDERLEY, Luiz. J.; COSTA, Reinaldo. Garimpeiros de Ouro e Cooperativismo no século XXI. Exemplos nos rios Tapajós, Juma e Madeira no Sudoeste da Amazônia Brasileira. Revue Franco-brésilienne de Géographie/Revista Franco-Brasilera de Geografia, n. 33, p. 2017. Disponível em: https://journals.openedition.org/confins/12445. Acesso em: 10 mar. 2020

DE PÁDUA, Elisabete Matallo M. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. Papirus Editora, 2019.

GAWLAK,,Albino; Fabiane Ratzke. Cooperativismo: primeiras lições. 3. ed. Brasília: Sescoop, 2007

GEENEN, Sara. A dangerous bet: the challenges of formalizing artisanal mining in the Democratic Republic of Congo. Resources Policy, Vigo (Pontevedra), Spain, v. 37, n. 3, p. 322-30, 2012.

GODOY, Arilda. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63, mar./abr. 1995.

MACEDO, Alex. S et al. Nem tudo que reluz é ouro: os desafios de cooperativas minerais em Minas Gerais. Desenvolvimento em questão, [s.l.], ano 14, n. 36, p. 220-48, mar. 2016. E-book. 29 p.

MILANEZ, Bruno; DE OLIVEIRA, José A. P. Innovation for sustainable development in artisanal mining: advances in a cluster of opal mining in Brazil. Resources Policy, Vigo (Pontevedra), Spain, v. 38, n. 4, p. 427-34, 2013.

ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS [OCB]. Relatório anual da OCB. OCB, Brasília, 2019. Disponível em: https://www.ocb.org.br/publicacao/53/anuario-do-cooperativismo-brasileiro-2019 . Acesso em: 25 jan. 2019.

PEREIRA, Adriana S. et al. Metodologia da pesquisa científica. 2018.

SOUZA, Luciana. K. P. Com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 51-67, 2019. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180952672019000200005&lng=pt&nrm=iso . Acesso em: 6 mar. 2020.

SECCATORE, Jacopo et al. Sustainable management of resources and reserves in small-scale mining. 2014. 137 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Minas e Petróleo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2014.

VALADARES, José. H. Moderna administração de cooperativas. [Apostila FORMACOOP – Mód.I - SESCOOP/GO]. Goiânia: Farmacoop, 2002.

Publicado
2022-04-28
Como Citar
da Silva, S. S., Freitas, A. F. de, Freitas, R., & Ramalho, T. (2022). Princípios do cooperativismo e a cultura do garimpo: uma análise nas cooperativas minerais de Minas Gerais. Interações (Campo Grande), 23(1), 215-230. https://doi.org/10.20435/inter.v23i2.3138